Retalhos de quase amores

 

Adornadas consciências silenciosas

Ornamentos mudos de um coração oco

De tanto se render às rifas amorosas

Contentou-se com o pedaço, a lasca, o pouco

 

Um canto de sorriso dado à revelia

Breves olhares, abraços furtados

As caças de bocas, os lábios do dia

A melancolia do amor mal amado

 

Tenta completar-se nas paixões vistosas

Que exalam febres tensas, gritos roucos

Que povoam causos, credos, versos, prosas

E ofertam rosas pro provável equívoco

 

Outro novo rosto pra dizer bom dia

Outra nova história entre seus bordados

Mais um rosto costurado na fotografia

Semblante da alegria inconstante e sem cuidado

 

No breu do noturno, mesmo acompanhada

Arrefecidas lágrimas em seu peito pousam

Sente-se querida sem sentir-se amada

Usou, foi usada, ousou com os que ousam

 

O choro brotado de olhos atentos

Escorre pela mansa face da espera

Esperando que surja entre seus tormentos

A beleza incandescida, súbita primavera

 

Mas é consciente de sua vida esquina

Onde param tipos soberanos e inquietantes

Que lhe alimentam a alma fresca de menina

Prendendo-lhe à rotina dezenas de amantes

 

Esconde no armário as frustrações não findas

E, à sua forma, sua causa e efeito

Junta os retalhos das paixões bem-vindas

Tiras coloridas, pares imperfeitos.



Escrito por Camila Trindade às 00h33
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